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Face Oculta do Lixo, A

Face Oculta do Lixo, A

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            Nenhum conhecimento deve ser unidirecional. Se assim acontecer, ele não dará conta da complexidade verificada em ações associadas a tomadas de decisão, e a posturas que sustentam as mais variadas formas de conduta. A questão do lixo é um desses assuntos multifacetados em que, ao lado de uma estrondosa proporção de coisas que se mostram aos olhos, de maneira intensa e aberrante, há outras que não estão à vista, principalmente aquelas que se escondem nas profundezas do sentimento humano, em dimensões nada fáceis de compreender e, em grande parte, culturalmente dependentes e socialmente construídas. O conhecimento tem, então, que ser relacional. Ou seja, proveniente da capacidade de colocar em diálogo cada descoberta realizada e, no efeito dinâmico comportado pela interdisciplinaridade, levar um conjunto de situações a se mostrarem, com clareza, em sua estruturação e em seu funcionamento.
A face oculta do lixo, de autoria de João Batista Alves, consegue obter o efeito de operar dentro deste princípio, e surge para cumprir com o papel que se espera de uma atividade de pesquisa: a melhoria. Aqui se fala, sobretudo da mais consistente das formas de melhoria – a da percepção.
Os resíduos sólidos são uma questão social, porque cada pessoa, na vida doméstica, nas ligações de trabalho, nos ambientes públicos ou privados, em que transita, e em qualquer outra circunstância de sua condição como morador de uma cidade, tem tanta influência no destino do lixo, quanto os poderes responsáveis, porque é uma de suas produtoras mais numerosas. Este texto ajusta o foco da discussão, com a sensibilidade de colocar, no centro, a relação entre homem e ambiente, com uma argumentação que se afasta dos mitos que sempre inundaram o debate nos últimos anos.
Há uma preocupação com a emancipação do homem: melhorar a condição de lidar com os resíduos sólidos requer uma mudança de atitude. É difícil, para cada um, reconhecer que não é somente vítima, mas também é causa, primeiro por ser um gerador, depois por sua própria inabilidade de dar a requerida destinação aos depósitos que contribuiu para aumentar. O primeiro passo é o reconhecimento sincero das consequências que a atitude, de cada um, tem para o conjunto da sociedade e para o espaço onde se habita. Esse reconhecimento começa em dizer a si próprio, como gerador e como acumulador de resíduos, que sua atitude provocará efeitos que irão atingi-lo mais adiante, forçando-o a viver em ambientes indesejáveis ou em situação de risco. O esforço tem que ser diário e consciente. Em associação direta com a mudança de atitude estão as práticas socioeducativas.
Em todos os níveis da escolarização, essa temática está presente nos trabalhos e nas atividades de ensino. Embora todos quantos abraçaram a causa costumem reiteradamente desenvolver objetivos de conscientização e solicitar apoio, fica faltando algo. Parece que apenas mensagens de convencimento não são suficientes e acabam esbarrando em algum limitador, e esse limitador está na mentalidade das pessoas. É isso o que está explicitado no resultado deste estudo. Transposto esse obstáculo, a tendência poderá ser revertida. É necessário, então, aprender, não somente sobre os aspectos físicos e morais da presença do lixo, inclusive já amplamente conhecidos, mas também é primordial conhecer como as pessoas pensam; mais diretamente, o que leva a elas próprias praticarem o que elas mesmas condenam.
O que acontece nas páginas deste livro não é unicamente uma descoberta, mas uma desocultação.
O resultado foi um panorama de extrema riqueza que, ao mesmo tempo, sensibiliza e informa, e às vezes comove. O sistema econômico e suas contradições são explicitados, bem como o surgimento de políticas públicas e sua evolução com o tempo. A economia, nos dias de hoje, é muito mais complexa e envolve um conjunto diferenciado de agentes e uma ampla diferenciação de atitudes e papéis. O conceito de microcampos de deterioração psicossocioambiental (MDPS), comporta um elemento de descrição e avaliação e ao mesmo tempo funciona como uma espécie de equação, na medida em que fornece indicações de proporcionalidade. Conhecidos os fatores presentes nesses microcampos, é possível avaliar, em sua maior ou menor concentração, o grau de risco a que comunidades, deles mais próximas ou mais distantes, estão sujeitas. Fica evidente, ao atento espectador, o lado humano, esse o mais importante a desocultar, na influência que exerce como integrante dessa unidade de observação.
Manifesta-se, na obra, o afinco com que seu autor se envolveu no estudo de caso, consultou documentos, esteve presente em reuniões da comunidade, conversou com autoridades, manteve contato direto com a população –credibilidade indiscutível de pesquisador, aliada ao rigor científico, sem descuidar da narrativa envolvente e convincente, para persuadir à consciência de mudança. O diálogo com os autores que hoje contribuem ao debate preencheu, com significativa substância, as fontes de referência.
Merece aplauso o fato de que, surgido de uma tese de pós-graduação, o estudo de caso não ficou circunscrito unicamente à esfera do texto acadêmico, e transformou-se no livro que agora é trazido a um público mais amplo. Mesmo por tratar de problemática que, de tão absorvida pelo convívio diário, muitas vezes provoque resistências, aqui está uma leitura inspiradora, que associa elementos explicativos que desarmam qualquer atitude defensiva e instrumentalizam para o enfrentamento, corajoso e comprometido, de uma demanda que é de todos. O lixo está presente na vida do homem, é produzido por ele, portanto sua destinação não lhe poderá jamais escapar. Nenhum encaminhamento dessa questão pode ser mecânico, ou exclusivamente povoado de tecnicalidades. Trata-se de um encontro de soluções humanas baseadas, não no puro jogo de culpas, mas na busca por continuamente desenvolver uma visão de maior alcance e de maior profundidade.

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Características


  • Edição: 1
  • Editora: Mecenas
  • Autor: Alves, João Batista
  • ISBN: 9788589687270
  • Ano: 2017
  • Número de páginas: 144

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